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E a tal felicidade? Ela existe?


Ser feliz é uma conquista diária; eu não tenho dúvidas. A felicidade pode ser tão efêmera quanto a nossa vida, que é passageira e transitória e ultimamente tenho escutado muitas pessoas dizendo que são infelizes, que o mundo mudou, as coisas não são como antes, e que não é possível ser feliz nesse mundo atual. Será?
A sociedade, sem dúvidas, vem sofrendo um mal global; todos tentam, a seu modo, buscar a felicidade e acho que como seres humanos temos, em regra, fracassado. Não pretendo aqui esgotar, se é que é possível, o porquê desse fracasso.
Uma certeza eu tenho: o mundo mudou, tudo anda rápido demais, estamos mais solitários, menos caridosos, menos tolerantes, muito preocupados, assoberbados de tarefas, cheios de problemas e tudo isso em alta, altíssima, velocidade, que chega a provocar um certo esmagamento físico e emocional, causando um mega estresse, que, para ser neutralizado, é compesado por bebidas, cigarro, comida, consumo, ou seja, diversos mecanismos que nos permitem uma dissociação da nossa consciência.
Você chamaria isso de surto coletivo? Talvez. Não sou nenhuma expert no assunto, mas percebo que muitas vezes o sintoma de um é transmitido para o outro e por aí vai. Vamos surtando. E haja mecanismos para nos proteger, não é?
Existem realmente muitos fatores que nos levam ao fracasso diário de não alcançar a felicidade. Como diz Freud, com quem concordo, “a felicidade é algo individual; aqui nenhum conselho é válido, cada um deve procurar, por si, ser feliz”. Essa é uma verdade, não a maior de todas, nem a única, mas admito que, para mim, a felicidade não tem uma fórmula. Não é lógica tampouco matemática. Eu diria que a felicidade é um trajeto, uma busca, que depende de cada um, da concretização dos nossos sonhos, da conquista de nossos objetivos e da nossa capacidade, individual, de lidar com os insucessos, os fracassos e os problemas que todos os dias surgem em nossas vidas. Mas ela não é impossível. Não acredito que ser feliz seja impossível; acredito que cada um de nós tem o dever de batalhar por essa tal felicidade. Se a vida é uma graça que nos foi concedida, nós, no mínimo, temos que batalhar por ela.
Hoje vivemos num mundo extremamente globalizado, virtual, informações que nos chegam por todos os meios possíveis e às vezes até inimagináveis; são emails, telefonemas, mensagens de texto, links, vídeos, correntes, reclamações, ou seja, infindáveis elementos que contribuem muito para que nossa busca pela felicidade seja interrompida. Todos os instantes. Quantas são as vezes que estou extremamente feliz e alguém envia um “torpedo” pedindo ajuda para solucionar “um problema” sempre muito urgente.
A urgência demasiada incomoda  e ela chega a todos. É uma obsessão pela urgência. Hoje tudo é urgente. Responder o email é urgente, almoçar é urgente, então nem podemos apreciar a comida, retornar uma ligação é urgente. Somos escravos da palavra “urgência”. A urgência, somada à velocidade das comunicações, ao ritmo que as pessoas imprimem em suas vidas são elementos que preocupam. Será que tudo é urgente? Será que “esperar” foi uma palavra excluída do nosso dia a dia?
E seguindo essa toada, esse afã de resolver tudo, de ser bom com todos, de ser ótimo profissional, de ser mulher linda, magra, malhada, boa mãe, de cumprir exigências, de solucionar conflitos, de responder emails, mensagens, textos, verificar o status de perfis em mídias sociais, esquecemos da nossa felicidade; e quando nos damos conta de que em qualquer dia não fomos felizes nem sequer por um minuto isso nos causa uma tristeza enorme. Pois é, o ritmo que imprimimos ou deixamos que imprimam em nós faz com nos esqueçamos de nós mesmos, dos nossos desejos, da nossa saúde física e mental, e da nossa felicidade.
Ser feliz nos dias de hoje é uma aventura, um caminho, um trajeto a ser percorrido, e que parece ser um pouco impossível. Não é. Confie. Apenas vivemos um dilema ou vários dilemas: como ser feliz? O que nos faz feliz? Será que sou feliz? E temos uma forte tendência em terceirizar nossa felicidade, ora culpando os outros, ora nos mantendo afastados das pessoas, ora nos fechando para o mundo, e falando para os quatro cantos do mundo: “Ai, não estou feliz, meu marido me chateou, minha chefe me maltratou, estou gorda e não emagreço, meu cachorro fez xixi no carpete, meu filho bateu no amiguinho, meu dente é torto, estou cheia de celulites, minha amiga não me retornou etc….”. Chamo isso de “ladainha da vítima”.
O ser humano tem essa tendência de vitimizar e é algo lógico, pois se a culpa é do outro, então o outro é o que perturba, logo somos ótimas, perfeitas, lindas, maravilhosas e muito competentes, e infelizes porque o outro nos deixa assim. Você já ouviu algo semelhante? Eu já. Já falei inclusive. Como eu disse, terceirizar a felicidade ou a não felicidade é fácil. Difícil é encontrá-la com os próprios passos e admitir que temos falhas e muitas e que somos os seres mais evoluídos e mais cheios de falhas no mundo animal, porque pensamos e, quando damos asas aos pensamentos, podemos criar obstáculos muito sofisticados para barrar nossa felicidade.
Existe um caminho para a felicidade? Acredito que sim. Mas esse caminho, minhas amigas, é um trajeto individual, pessoal e intransferível.
Tentemos ser mais resilientes, sublimar aquilo que não nos faz bem, ou afastar as pessoas ou as coisas que infelizmente não contribuem para as nossas vidas de forma positiva. Se você está triste, se sua vida perdeu o sentido, se o rumo está errado, mude.
Seja bondosa consigo mesma. Aprecie o amanhecer, o entardecer e o anoitecer; se estiver em um local sem janelas, abra sua mente e crie sua janela e pense naquela paisagem linda, que com certeza um dia você já viu e que te deixou muito feliz e plena.
Não se importe tanto com seu corpo, se estiver insatisfeita, caminhe ou faça qualquer coisa que lhe agrade para que seu corpo fique saudável. Mas faça. Não delegue.
Preocupe-se menos com as roupas que você vai vestir, se um dia você acordar sem criatividade. Nem todo mundo percebe suas roupas e se perceber é porque tem pouco a fazer da vida. Simplesmente ignore comentários ignorantes! Um pouco de sabedoria não faz mal.
Escute as críticas, reflita e veja quais são de fato verdadeiras. A reflexão é essencial. Sem ela você pode se submeter e se submeter em dissonância com seus desejos é uma afronta que você permite que os outros façam a você mesma. Ou, você pode achar que é o mais lindo chuchu da horta e viver em um estado de arrogância que só vai te prejudicar mesmo.
Mude os sapatos. Troque os saltos por sapatilhas. Sinta-se confortável.
Escute as músicas que você gosta. Curta as letras. Cante e dance. Botar as energias para fora faz bem. Trocar energias positivas é melhor ainda.
Ame. Ame com respeito. Respeite-se. Não deixe que qualquer pessoa te desrespeite. E se desrespeitar, fale. Não engula sapos. Sapos não são digeridos facilmente.
Escolha um lugar que você adore e vá. Fique lá, nem que seja por 10 minutos. Aprecie. Aprecie as pessoas que você ama, escute-as, dê atenção e ofereça sua mão. Se não pegarem, aí o problema não é seu. Você vai ficar mais em paz.
Fale a verdade, de forma tranquila, sem magoar. Não minta. Mentir causa mágoas irreversíveis. Isso é fato. Você pode perder pessoas que ama para sempre se mentir, mas falando a verdade você pode conquistá-las para sempre.
Desligue seu celular, seu computador, sua TV, quando você notar que, por mais urgente que seja um assunto, ele pode sim ser postergado. Aposto que se você ou eu morrer amanhã, o mundo vai continuar. Como? Ah, não sabemos. A vida continua para quem fica. Nem tudo é urgente, nem tudo pode ser urgente, pois a vida não urge; a vida flui.
Seja a dona do seu destino, a pilota do seu avião, e assuma. Ame suas qualidades, reflita sobre seus defeitos e se quiser mude. Defeitos podem ser amenizados.
Busque a paz, que está em cada um de nós, com um gesto, um sorriso, um ato de caridade, ou com o silêncio.
Seja feliz. A felicidade importa e muito. No final dos seus dias, serão os momentos felizes que ficarão na sua memória.

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